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Artigo · Garganta

Ronco e apneia do sono: causas, diagnóstico e quando procurar um otorrino

Roncar é comum, mas nem sempre é só um incômodo. Entenda quando o ronco merece investigação e como a apneia do sono é diagnosticada.

Por Dra. Laiana Almeida03 de outubro de 20264 min de leitura

O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos da garganta e do fundo do nariz quando o ar passa por um espaço estreitado durante o sono. Ele é muito comum e, em muitas pessoas, não representa um problema de saúde. Mas o ronco também pode ser o sinal mais visível de uma condição que merece atenção: a apneia obstrutiva do sono.

Por que o ronco acontece

Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Se a via aérea já é mais estreita, esse relaxamento faz com que os tecidos vibrem com a passagem do ar. Vários fatores contribuem para isso, e é comum que mais de um esteja presente na mesma pessoa:

  • Obstrução nasal, por desvio de septo, hipertrofia dos cornetos, rinite ou pólipos, que força a respiração pela boca
  • Características da garganta, como palato mole e úvula alongados ou língua em posição mais posterior
  • Aumento das amígdalas e das adenoides, especialmente em crianças
  • Excesso de peso, que aumenta o volume de tecido ao redor da via aérea
  • Bebida alcoólica e medicamentos sedativos perto da hora de dormir, que relaxam ainda mais a musculatura
  • Dormir de barriga para cima, posição em que a língua tende a cair para trás

O que é apneia obstrutiva do sono

Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea não apenas se estreita: ela se fecha parcial ou totalmente várias vezes durante a noite. Cada fechamento interrompe ou reduz a respiração por alguns segundos, diminui a oxigenação e provoca microdespertares, na maioria das vezes imperceptíveis para a própria pessoa. O resultado é um sono fragmentado, que não descansa.

Nem todo mundo que ronca tem apneia, e nem todo mundo com apneia ronca alto. Por isso, o ronco sozinho não define o diagnóstico.1

Sinais de alerta

Alguns sinais aumentam a suspeita de apneia e indicam que vale investigar:

  • Pausas na respiração durante o sono, percebidas por quem dorme junto
  • Engasgos ou despertares com sensação de falta de ar
  • Sonolência durante o dia, inclusive em situações como dirigir ou ler
  • Acordar cansado mesmo depois de muitas horas na cama
  • Dor de cabeça ao acordar
  • Dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações de memória
  • Pressão alta, especialmente quando é difícil de controlar1

Em crianças, os sinais podem ser diferentes: ronco frequente, respiração pela boca, sono agitado, suor noturno, enurese (fazer xixi na cama depois da idade esperada), além de agitação ou dificuldade de atenção durante o dia.6

Por que a apneia merece atenção

Além de comprometer a qualidade de vida, a apneia obstrutiva do sono não tratada está associada a maior risco de hipertensão, doenças cardiovasculares e alterações metabólicas. A sonolência diurna também aumenta o risco de acidentes, inclusive de trânsito.1 Por isso, quando existem sinais de alerta, o ronco deixa de ser apenas um incômodo para quem dorme ao lado.

Como é feito o diagnóstico

O exame que confirma a apneia do sono é a polissonografia, que registra a respiração, a oxigenação, os batimentos cardíacos e outros parâmetros durante o sono. Ela pode ser feita em laboratório do sono ou, em casos selecionados, em casa, com um aparelho portátil. O resultado indica se existe apneia e qual a sua gravidade, o que orienta a escolha do tratamento.2

O otorrinolaringologista participa avaliando a via aérea superior, ou seja, o caminho que o ar percorre do nariz até a garganta. A consulta inclui o exame do nariz, da boca e da garganta e, quando indicado, a videonasofaringoscopia, feita no consultório, que permite ver o interior do nariz e da faringe. O objetivo é identificar pontos de estreitamento que contribuem para o ronco e para a apneia e que podem ter tratamento específico.

Tratamento

O tratamento depende da causa, da gravidade e das características de cada pessoa. As principais possibilidades são:

  • Medidas gerais, como perda de peso quando indicada, evitar álcool e sedativos à noite e ajustar a posição de dormir
  • Tratamento da obstrução nasal, quando ela contribui para o quadro, seja com medicações, seja com cirurgia, como a correção do desvio de septo
  • CPAP, um aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar durante o sono e que é o tratamento de referência para a apneia moderada e grave3
  • Aparelhos intraorais, feitos por dentista com formação em sono, que avançam a mandíbula e podem ser indicados em casos selecionados4
  • Cirurgias da via aérea, indicadas para pacientes selecionados após avaliação detalhada

Um ponto importante: tratar a obstrução nasal nem sempre resolve a apneia sozinho, mas pode reduzir o ronco, melhorar a qualidade do sono e tornar o uso do CPAP mais confortável para quem precisa dele.5

Quando procurar um otorrinolaringologista

Vale buscar avaliação quando o ronco é frequente e vem acompanhado de algum dos sinais de alerta, quando existe nariz entupido ou respiração pela boca durante o sono, ou quando uma criança ronca com frequência. A avaliação ajuda a entender o que está causando o ronco e a decidir, junto com o paciente, quais exames e tratamentos fazem sentido.

Para entender as causas de nariz entupido que muitas vezes estão por trás do ronco, veja também o artigo sobre obstrução nasal.

Referências

  1. Jordan AS, McSharry DG, Malhotra A. Adult obstructive sleep apnoea. Lancet. 2014;383:736-747. Acessar fonte ↗
  2. Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13:479-504. Acessar fonte ↗
  3. Patil SP, Ayappa IA, Caples SM, et al. Treatment of Adult Obstructive Sleep Apnea with Positive Airway Pressure: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2019;15:335-343. Acessar fonte ↗
  4. Ramar K, Dort LC, Katz SG, et al. Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Snoring with Oral Appliance Therapy: An Update for 2015. J Clin Sleep Med. 2015;11:773-827. Acessar fonte ↗
  5. Camacho M, Riaz M, Capasso R, et al. The Effect of Nasal Surgery on Continuous Positive Airway Pressure Device Use and Therapeutic Treatment Pressures: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sleep. 2015;38:279-286. Acessar fonte ↗
  6. Marcus CL, Brooks LJ, Draper KA, et al. Diagnosis and Management of Childhood Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Pediatrics. 2012;130:576-584. Acessar fonte ↗

Dúvidas frequentes sobre ronco e apneia do sono

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Dra. Laiana Almeida

Escrito por Dra. Laiana Almeida

Otorrinolaringologista · CRM BA 25916 · RQE 17397

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica.

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