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Artigo · Nariz

Desvio de septo: o que é e quando a septoplastia é indicada

Nem todo desvio de septo precisa de cirurgia. Entenda como é feita essa avaliação.

Por Dra. Laiana AlmeidaAtualizado em 03 de outubro de 20263 min de leitura

O septo nasal é a parede de cartilagem e osso que divide o nariz em duas narinas. É comum que ele não seja perfeitamente reto: pequenos desvios estão presentes em boa parte da população e nunca chegam a causar sintomas. O problema aparece quando o desvio é grande o suficiente para obstruir de forma relevante a passagem do ar.1

Sintomas mais comuns

  • Obstrução nasal, geralmente mais evidente de um lado
  • Sensação de nariz entupido que piora ao deitar
  • Ressecamento ou sangramentos nasais mais frequentes
  • Ronco ou respiração bucal durante o sono
  • Sinusites de repetição, em alguns casos

O desvio pode contribuir para o ronco, mas raramente é a única causa. O texto desvio de septo causa ronco? explica essa relação.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação começa pela conversa sobre os sintomas e pelo exame físico. Na maioria dos casos, inclui também a endoscopia nasal, que permite visualizar diretamente o formato do septo e identificar outras causas associadas, como rinite ou hipertrofia de cornetos.1 Em geral, a tomografia não é necessária para diagnosticar o desvio; ela pode ser pedida quando há suspeita de sinusite associada ou para planejamento cirúrgico.

Condições que costumam vir junto

O desvio de septo raramente aparece sozinho. A rinite e o aumento dos cornetos nasais são frequentes nas mesmas pessoas e também reduzem a passagem do ar.14 Por isso, a avaliação procura entender quanto da obstrução vem do septo e quanto vem da mucosa inflamada, já que cada parte tem um tratamento diferente.

Tratamento clínico

Medicamentos não corrigem o formato do septo. Mesmo assim, tratar a rinite associada, com lavagem nasal e spray de corticoide quando indicado, pode reduzir o inchaço da mucosa e melhorar a respiração.4 Em muitas pessoas, esse controle já é suficiente; em outras, a obstrução continua mesmo com o tratamento bem feito, e a cirurgia passa a ser discutida.

Quando a cirurgia (septoplastia) é indicada

A decisão cirúrgica não é automática. Ela é considerada quando:

  1. O desvio causa obstrução nasal significativa e persistente;
  2. Tratamentos clínicos (como o controle de rinite associada) não resolvem os sintomas;
  3. O impacto na qualidade de vida (sono, atividade física, produtividade) é relevante.12

A septoplastia é o procedimento cirúrgico que corrige o alinhamento do septo, feito por dentro do nariz.3 Quando os cornetos também estão aumentados, a redução deles pode ser avaliada no mesmo procedimento.1 A cirurgia não tem finalidade estética: o texto a septoplastia muda o formato do nariz? explica a diferença em relação à rinoplastia.

O que esperar do resultado

Um estudo randomizado com adultos que tinham obstrução nasal e desvio de septo comparou a septoplastia com o tratamento sem cirurgia. Após 24 meses, o grupo operado relatou mais melhora na qualidade de vida e na obstrução nasal.2 Isso não significa que todos os pacientes terão o mesmo resultado: a resposta depende da causa da obstrução e das condições associadas, o que reforça a importância da avaliação individual.

Riscos da cirurgia

Como todo procedimento cirúrgico, a septoplastia tem riscos, que são discutidos na consulta antes de qualquer decisão. Entre os descritos na literatura estão sangramento, acúmulo de sangue no septo (hematoma), infecção, perfuração do septo, aderências dentro do nariz e persistência da obstrução.3 Complicações graves são pouco frequentes.

Recuperação e cobertura

Os primeiros dias após a cirurgia costumam envolver nariz entupido e cuidados com a limpeza nasal. O texto como é a recuperação da septoplastia? descreve essa fase. Sobre cobertura, veja o plano de saúde cobre a septoplastia?.

Para entender outras causas de obstrução nasal que podem estar associadas ao desvio de septo, veja o guia sobre obstrução nasal e sobre rinite alérgica.

Referências

  1. Han JK, Stringer SP, Rosenfeld RM, et al. Clinical Consensus Statement: Septoplasty with or without Inferior Turbinate Reduction. Otolaryngol Head Neck Surg. 2015;153:708-720. Acessar fonte ↗
  2. van Egmond MMHT, Rovers MM, Hannink G, et al. Septoplasty with or without concurrent turbinate surgery versus non-surgical management for nasal obstruction in adults with a deviated septum: a pragmatic, randomised controlled trial. Lancet. 2019;394:314-321. Acessar fonte ↗
  3. Watters C, Brar S, Yapa S. Septoplasty. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022. Acessar fonte ↗
  4. Sakano E, Sarinho ES, Cruz AA, et al. IV Brazilian Consensus on Rhinitis – an update on allergic rhinitis. Braz J Otorhinolaryngol. 2018;84:3-14. Acessar fonte ↗

Dúvidas frequentes sobre desvio de septo nasal

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Dra. Laiana Almeida

Escrito por Dra. Laiana Almeida

Otorrinolaringologista · CRM BA 25916 · RQE 17397

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