Sinusite crônica tem cura?
Parte do guia Sinusite e pólipos nasais: sintomas, diagnóstico e tratamento
A sinusite crônica é tratada como uma condição de controle, e não como uma doença com cura garantida. Isso não quer dizer que a pessoa vai conviver com sintomas fortes para sempre: com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem reduzir bastante a obstrução, a secreção e o impacto no dia a dia. O guia sobre sinusite e pólipos nasais explica o quadro em detalhes.
Por que se fala em controle
A sinusite crônica não é uma infecção que "não sarou". Ela é uma inflamação persistente da mucosa do nariz e dos seios da face, que pode ter influência de fatores como alergia, asma, características da própria mucosa e alterações anatômicas. Como essa inflamação de base pode continuar presente, o tratamento busca mantê-la sob controle ao longo do tempo, de forma parecida com o que acontece em outras doenças inflamatórias crônicas, como a asma.1
O que o tratamento busca
O objetivo é que o paciente respire bem pelo nariz, tenha pouca ou nenhuma secreção, recupere o olfato quando possível e precise de menos tratamentos de resgate, como antibióticos e corticoides orais.1 Para isso, o tratamento costuma combinar:
- Lavagem nasal com soro fisiológico, de forma regular
- Corticoide nasal em spray
- Tratamento de condições associadas, como rinite alérgica e asma
- Cirurgia endoscópica nasal, quando o tratamento clínico adequado não é suficiente
Nos casos com pólipos que seguem sem controle, há ainda medicamentos biológicos, indicados para pacientes selecionados.2
Cada caso é diferente
A sinusite crônica sem pólipos e a sinusite crônica com pólipos se comportam de formas diferentes, e mesmo dentro de cada grupo há variações importantes. Algumas pessoas ficam bem controladas com o tratamento clínico. Outras precisam de cirurgia. Algumas precisam de acompanhamento mais próximo por causa de asma associada ou de pólipos que voltam a crescer.
Por isso, a resposta para "vou ficar bom?" depende da avaliação de cada caso: o tipo de sinusite, a extensão da inflamação vista no exame e na tomografia, as doenças associadas e a resposta aos tratamentos já feitos.
O acompanhamento faz parte do tratamento
Mesmo quando os sintomas melhoram muito, o acompanhamento periódico ajuda a ajustar a medicação, identificar cedo sinais de piora e evitar que o quadro volte ao ponto inicial. Abandonar o tratamento quando tudo está bem é uma das causas mais comuns de retorno dos sintomas.
Quando procurar avaliação
Se os sintomas nasais duram mais de 12 semanas, voltam várias vezes ao longo do ano ou não melhoram com os tratamentos já feitos, vale buscar avaliação com otorrinolaringologista para confirmar o diagnóstico e definir um plano de tratamento.
Referências
- Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl S29):1-464. Acessar fonte ↗
- Fokkens WJ, Viskens AS, Backer V, et al. EPOS/EUFOREA update on indication and evaluation of Biologics in Chronic Rhinosinusitis with Nasal Polyps 2023. Rhinology. 2023. Acessar fonte ↗
Agende na Otocentro
As consultas presenciais agendadas pelo WhatsApp acontecem na Otocentro, no Caminho das Árvores, em Salvador. Também há teleconsulta, quando o quadro permite avaliação remota. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual.

Escrito por Dra. Laiana Almeida
Otorrinolaringologista · CRM BA 25916 · RQE 17397
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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta médica.
